terça-feira, 9 de abril de 2013

Problemas na rede elétrica obrigam alunos a estudarem em CTG e igreja

Sem condições, pelo menos seis escolas estaduais estaduais improvisam para garantir aulas




Diante de fragilidade nas instalações elétricas, pelo menos seis escolas estaduais têm enfrentado transtornos e improvisado locais para garantir aulas com segurança no Interior. 

Enquanto em São Pedro do Sul, na Região Central, o ano letivo começou ontem, após 45 dias de atraso e decisão judicial, em Montenegro, no Vale do Caí, alunos estudam em CTG e igrejas. Já em Quaraí, na Fronteira Oeste, uma escola funciona sem energia elétrica. Estudo, só com luz natural. 

Os cerca de mil alunos da Escola Estadual de Ensino Médio Tito Ferrari, em São Pedro, estavam sem aula desde 25 de fevereiro, depois de o colégio ter sido interditado por problemas na rede elétrica e falta de Plano de Prevenção Contra Incêndio (PPCI). 

Segundo o Ministério Público, que interveio diante do risco de incêndio, os bombeiros alertavam para a necessidade de reforma na rede desde 2006. 

A diretora da escola, Camila Saidelles, afirma que o novo calendário escolar prevê recuperar as aulas aos sábados. Apesar disso, muitos pais decidiram trocar os filhos de escola diante do risco, fato admitido pela direção, mas ainda sem números oficiais. 

A 8ª Coordenadoria Regional de Educação garantiu que a reforma completa deve se iniciar neste ano, com investimento de R$ 400 mil. 

O coordenador adjunto, Antônio Cesar de Souza, observa, no entanto, que o PPCI estava em dia e que, mesmo que a rede elétrica da escola devesse ser trocada, a obra poderia ocorrer com as aulas em andamento, sem necessidade de interrupção. 

Levantamento feito pelo Cpers por amostragem – em 355 das 2,6 mil escolas – indica que 54,1% dos colégios não têm ou não souberam responder se têm PPCI. O estudo, que considerou todas as regiões e incluiu escolas urbanas e rurais de todos os níveis, também apontou que 61,4% das instituições que responderam ao questionário não têm condições adequadas de funcionamento. 

Em 66,5% delas, algum setor, serviço ou espaço não funciona. Há casos em que a situação é tão precária que a única alternativa é os alunos saírem da escola para ter aulas em outro lugar. 

A Secretaria Estadual de Educação e os 12 Comandos Regionais do Corpo de Bombeiros dizem que não há escolas interditadas no Estado. Conforme a Secretaria, as escolas só são consideradas interditadas se os estudantes estão sem aula. Nos demais casos, onde há problemas, considera-se parcialmente interditado. O órgão estadual, no entanto, não soube informar quantas instituições estão com aulas em andamento em prédios não apropriados. 

Bombeiros não conseguem vistoriar todas escolas A Divisão Técnica de Prevenção de Incêndios do Comando do Corpo de Bombeiros explica que as vistorias em escolas só são feitas após a elaboração do PPCI. Também admite não ter fôlego para fazer vistorias em todas as edificações do Estado constantemente e, por isso, pede que a população colabore com informações e denúncias, em caso de problemas.

A corporação diz que, recentemente, foi publicado no Diário Oficial do Estado uma ordem de serviço da Secretaria estabelecendo procedimentos a serem adotados pelas escolas, incluindo a orientação para procurarem os bombeiros e encaminharem o PPCI. 

Estudantes ficam sem atividade em dia de baile Ambiente escuro, pouco espaço, muitos alunos. Em Montenegro, no Vale do Caí, alunos das escolas Coronel Álvaro de Moraes e Coronel Januário Corrêa estudam em locais impróprios desde 25 de fevereiro. Os problemas são a falta de alvará de PPCI e a estrutura precária. Por isso, professores foram obrigados a improvisar aulas em um CTG, em uma unidade de cultura e em uma igreja. 




As turmas de 1º ano à 5ª série da Escola Estadual de Coronel Alvaro de Moraes foram abrigadas na Estação da Cultura. Todos os níveis estão com aulas nas mesmas salas. Já os estudantes da 6ª a 8ª série foram encaminhados a um CTG. 

– O CTG tem um ambiente escuro e que não é apropriado, e as crianças perdem aula nas sextas-feiras porque é dia de baile. Os pais estão desesperados – desabafou Rosalia Cristina da Silva Flores, mãe de um aluno. 

Segundo o comandante do Corpo de Bombeiros de Montenegro, Jorge Oscar da Silva Soares, as duas escolas foram consideradas inseguras. Na Coronel Alvaro de Moraes, houve um princípio de incêndio no fim do ano passado por problemas na rede elétrica. 

Já na escola Coronel Januário Corrêa, em fevereiro ficou constatado que a central de gás estava irregular e proporcionava um risco ainda maior que a falta de PPCI. Em 25 de março, foi registro um princípio de incêndio na rede elétrica do colégio. 

Segundo a 2ª Coordenadoria Regional de Educação, as obras na escola Coronel Álvaro de Moraes já se iniciaram e serão concluídas sem 90 dias. Segundo a coordenadora Rosana Rodrigues Santos, a ordem de início das obras na escola Coronel Januário Corrêa foi assinada ontem, e em breve os trabalhos vão começar. 

Estado fará levantamento para mapear a situação 
A secretária adjunta da Secretaria Estadual da Educação, Maria Eulalia Nascimento, afirma que, nos casos de interdição de escolas, se a situação é considerada emergencial e o valor da obra for de até R$ 410 mil, o Estado encaminha a dispensa de licitação imediatamente. Se o custo for superior, é preciso análise pela Procuradoria-geral do Estado (PGE). 

Ela revela que foi estabelecido acordo para avaliação de 2.574 escolas — incluindo verificação de alvarás de PPCI —, com apoio do Corpo de Bombeiros. 

O diretor administrativo da Secretaria, Claudio Sommacal, revela que será feito um termo de adequação para as escolas mais antigas. Os novos projetos, segundo ele, já possuem as duas exigências como fatores obrigatórios: 

— Faremos um levantamento para verificar em que situação se encontram as escolas com relação ao PPCI, que deve ser publicado na sexta-feira. Assim, conseguiremos criar um plano de adequação exequível. 

Outros casos 


— Taquara — A escola estadual Willybaldo Samrsla está parcialmente interditada devido a problemas como choques elétricos e defeitos na central de gás. A Secretaria Estadual de Educação informou que, neste caso, o impasse não envolve o alvará de PPCI, mas sim um prédio de 95 anos com uma estrutura que já não comporta os alunos. 

Foto: Cpers, Divulgação


— Quaraí — Escola Estadual Manoel Ingácio Tavares Nunes funciona sem energia elétrica. Aulas ocorrem com luz natural e há infiltrações. No colégio Doutor Pacheco Prates, que sofreu um incêndio no ano passado, também há precariedade nas instalações elétricas. A 19ª Coordenadoria Regional da Educação afirma que a parte burocrática dos processos está encaminhada, com tudo pronto para que se iniciem as obras. 

— Caxias do Sul — Por problemas na fiação elétrica, a Escola Estadual de Ensino Médio José Generosi, na localidade de Forqueta, está com as aulas suspensas. Ontem, foi autorizada a troca da fiação.

Fonte: Jornal o Sul

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