sexta-feira, 14 de setembro de 2012


Conferência Estadual de Educação: Contribuição da Direção Estadual do CPERS/Sindicato

CONTRIBUIÇÃO PARA A CONFERÊNCIA ESTADUAL DE EDUCAÇÃO CPERS/SINDICATO


1. INTRODUÇÃO

O debate sobre educação possui, em nossa época, uma natureza política. Encará-lo com outro enfoque (ou com outra centralidade) conduz, inevitavelmente, à mitificação e ao engano. A essência política do debate educacional está determinada pelo aspecto fundamental da sociedade capitalista: sua divisão em classes sociais antagônicas, que lutam por interesses contraditórios. Todos os temas relacionados à educação acabam condicionados por esse fato da realidade social.
A divisão social e a luta entre as classes são fatores que condicionam o dia a dia nas escolas, nas universidades, nos locais de moradia e de trabalho. Impedindo um real desenvolvimento humano, a perversidade gerada pelo capitalismo, em sua fase decadente, entranha no conjunto das relações sociais. A desigualdade social, a injustiça, a exploração, as opressões e a alienação violentam a vida dos(as) trabalhadores(as) e de seus filhos, já que toda a riqueza produzida é posta a serviço da valorização do capital. O tema da educação está imerso nesse dilema vivido em nossa sociedade. A escola retrata essa profunda degradação social e a inevitável luta de classes.
A classe trabalhadora, em especial o proletariado, é o único sujeito social capaz de apontar a superação desse sistema baseado na alienação e na exploração humana. É a única classe que, ao derrotar o capitalismo, poderá converter verdadeiramente em patrimônio de amplas massas populares todas as conquistas do conhecimento, da ciência, da cultura e da arte, desenvolvidas, ao longo de milênios, pela humanidade.
É uma tarefa para o ser humano, além de superar a divisão em classes sociais, extinguir as separações tanto entre trabalho intelectual e trabalho manual quanto entre trabalho e educação. Extinguir as fontes de sua alienação, para que seja possível o pleno desenvolvimento da personalidade humana. Este caminho de conquista verdadeira de justiça e de igualdade e de construção de um mundo melhor, só é possível à classe trabalhadora por meio da luta contra o capital.
No entanto, essa luta gigantesca depende do desenvolvimento da consciência de classe dos(as) trabalhadores(as). É necessário que a classe trabalhadora compreenda profundamente a situação em que se encontra, compreenda a exploração desumana que lhe impõe o capital e busque a saída. Essa é, em nossa opinião, a tarefa fundamental da educação do nosso tempo: a elevação política e teórica da consciência de classe do proletariado.
Trata-se de uma autoeducação, em que a classe trabalhadora é sujeito do processo de aprendizagem. Como afirma Marx, é um movimento que a transforma de uma classe-em-si em uma classe-para-si. Essa tarefa é tão importante que, contra ela, a burguesia utiliza todas as suas armas. A ideologia e a propaganda capitalista se ocupam, permanentemente, em ocultar as monstruosidades impostas pela segregação social. Tentam naturalizar as relações de exploração e as desigualdades, como se fossem imutáveis e eternas. Tentam substituir o conflito entre as classes por uma colaboração ou passividade. Apresentam os indivíduos como “cidadãos” iguais perante as leis da sociedade. Enfim, desenvolvem conceitos e ideias para impedir o avanço da consciência classista do proletariado. Travam uma feroz luta ideológica para manter o sistema capitalista e sua dominação.
A escola é um dos palcos dessa luta. Uma luta econômica, política e ideológica. No terreno econômico, a atual crise mundial está produzindo consequências ainda mais devastadoras para a educação. Hoje, em todo o mundo, aproximadamente cem (100) milhões de crianças e quase oitocentos (800) milhões de jovens e adultos estão fora do sistema educacional. Sob orientação das organizações do imperialismo (G20, OCDE, UNESCO, Banco Mundial, FMI), os governos promovem: cortes drásticos nos investimentos; transferências de recursos públicos para o setor privado; ataques duríssimos aos salários e direitos dos(as) servidores(as); além de impulsionarem o avanço da privatização direta ou por via das parcerias com “Organizações Sociais”, estas instituições de direito privado. O objetivo é viabilizar a educação como um campo lucrativo de exploração para o capital em crise. Vale dizer, o capitalismo transforma em mercadoria tudo em que toca.
As reformas que foram implementadas ao longo das últimas décadas, necessitaram de sustentação política. O neoliberalismo precisou de reforço político e novas adesões. Abriu espaços para que a colaboração política pudesse ser mais efetiva. Em todos os cantos, procurou criar “consensos” que, ao final das contas, permitissem a expansão do capital sobre as escolas e universidades. Em nosso país, essa política imperialista ficou evidente em um documento intitulado “Do confronto à colaboração: relações entre a sociedade civil, o governo e o Banco Mundial no Brasil”.
Este triste papel de rendição às políticas e reformas neoliberais coube, nos últimos anos, a todos os governos brasileiros, inclusive aos de Lula e Dilma. A política social compensatória (Bolsa-família) não impediu que a crise na educação se aprofundasse. A situação educacional no Brasil continua uma calamidade. No mesmo período em que os bancos, as grandes empresas e o agronegócio superaram metas de lucratividade, o Brasil permaneceu como o terceiro (3º) pior país em distribuição de renda. Os índices de analfabetismo funcional permanecem quase os mesmos de uma década atrás. A fortíssima greve das universidades federais revelou a verdadeira face de precarização e de privatização do ensino superior brasileiro, no qual 75 % das matrículas pertencem ao setor privado em que o capital estrangeiro predomina.
Nesse quadro, a resistência dos(as) educadores(as) vem cumprindo um papel importantíssimo no interior da ampla luta da classe trabalhadora brasileira. A luta em defesa da educação e da carreira docente é uma reação fundamental à crise crônica do capitalismo. Todo tipo de greve, mobilização, enfrentamento e resistência foram protagonizados de norte a sul do país pelos(as) trabalhadores(as) em educação. Os principais agentes que podem transformar a educação são justamente os setores que hoje resistem à degradação da escola pública: educadores e estudantes.
No entanto, a principal corrente política dirigente da classe trabalhadora, majoritária na CUT e na CNTE, se tornou, gradativamente, um obstáculo para essa luta. Não só deixou de impulsionar e unificar as diversas lutas existentes, como se transformou em porta-voz do governo no interior do movimento sindical. Abrindo mão da independência de classe, essa corrente política passou a defender o Plano Nacional de Educação (PNE) do governo e suas reformas. Passou a defender, abertamente, que os graves problemas sociais de nosso país podem ser resolvidos pelo desenvolvimento do capitalismo. Aderiu, na prática, ao programa do Estado mínimo. Atua, deliberadamente, a fim de enfraquecer a consciência de classe e a independência dos trabalhadores ante a burguesia e ante os governos.
Com esse texto, queremos defender a necessidade de um projeto de educação e de sociedade radicalmente distinto do atual. Defendemos a necessidade de educar para a emancipação da classe trabalhadora! Essa é a nossa luta.
2. UM APARTHEID NA EDUCAÇÃO BRASILEIRA
Resultados recentes de uma pesquisa sobre analfabetismo, no Brasil, mostraram que apenas 26% da população pode ser considerada plenamente alfabetizada. Isto significa que menos de um terço (1/3) da população possui habilidades de compreensão e interpretação de textos mais longos e de resolução de problemas matemáticos. O analfabetismo funcional permanece no mesmo patamar de 2001! Outros dados evidenciam também o fracasso das políticas educacionais em curso. Em nosso país, apenas 41% da população consegue concluir o ensino médio, enquanto a média dos países da OCDE é de 73%. O atendimento em creches (crianças de zero a três anos de idade) inclui apenas 23,6% das crianças. A oferta de ensino superior atinge apenas 15% dos jovens entre dezoito (18) e vinte e quatro (24) anos. O magistério segue sendo a carreira universitária de pior remuneração no País. A defasagem entre o salário médio dos professores e o salário médio de outros profissionais de mesma escolaridade é de 60%.
Há um colapso nos objetivos de avanço de aprendizagem, de superação do analfabetismo e de democratização do conhecimento. O fracasso do PNE anterior sequer é debatido. A 6ª economia do mundo apresenta a 68ª colocação em educação e a 88ª em IDH (Índice de Desenvolvimento Humano). Evidentemente, esse caos é resultado do insignificante investimento público na educação. O orçamento da União reserva a metade de seus recursos para pagamento de dívidas com o sistema financeiro, desse modo permitindo ganhos extraordinários permanentes para os banqueiros. O custo desta benevolência é a falta de recursos para investir na educação e nos direitos sociais. O valor aplicado por pessoa em idade educacional, no Brasil, é de apenas US$ 959, enquanto a média de todos os países é US$ 4.400 e a média dos países da OCDE chega a US$ 9.800. O investimento em educação se mantem inferior a 5% do PIB.
Essa situação absurda encontra sua correspondência na degradação da vida dos(as) profissionais da educação. O nível de adoecimento dos(as) educadores(as) atingiu patamares impressionantes. A cada dia, é mais difícil ser educador(a) em nosso país. Há uma epidemia de sofrimento psíquico nas escolas brasileiras. Síndromes e transtornos mentais e comportamentais representam proporções inéditas em diversas pesquisas realizadas. Há, para agravar ainda mais tal situação, uma repugnante campanha de responsabilização dos(as) professores(as) pela crise da educação. Cotidianamente, os(as) educadores(as) ficam mais vulneráveis à violência e ao assédio moral.
Os estudantes também sofrem com a exclusão e com a falta de respostas educativas democráticas. Como tem sido denunciado por estudiosos, questões sociais que afligem a vida dos alunos são reduzidas a problemas médicos e psicológicos. Há, na educação, um crescente processo de medicalização que substitui a necessidade de acompanhamento do processo de aprendizagem. Problemas sociais estão sendo transformados, de forma generalizada, em questões individuais. O estudante e sua família são responsabilizados pelos problemas que vivenciam, dessa maneira eximindo os governos de suas responsabilidades.
Mas, sem dúvida, o fato que deveria gerar mais aversão e revolta é a existência de um verdadeiro apartheid no sistema educacional brasileiro. A lógica excludente do capitalismo gerou uma dualidade que separa os estudantes da classe trabalhadora dos da classe dominante. Essa segregação física, em que cada classe estuda em sua própria escola, permite a reprodução de uma lógica de perpetuação da exploração capitalista e um direcionamento capaz de atender a divisão entre trabalho intelectual e trabalho manual. Em todo o ensino básico, a escola pública é voltada exclusivamente para a classe trabalhadora e a escola privada para a burguesia. Os setores sociais médios lutam, com todas as forças, para colocar seus filhos na escola privada, para que tenham melhores condições de ascensão social.
Essa desigualdade monstruosa se tornou natural aos olhos da corrente política majoritária que dirige a CNTE. Há um convívio amistoso com as políticas que aprofundam a segregação e a discriminação social. Há muito tempo, essa corrente decidiu abandonar a defesa de uma escola pública universal e unitária. Sua postura governista a conduziu a uma cegueira política absoluta. No último Congresso, a CNTE aprovou uma resolução sobre política educacional que, em seu primeiro parágrafo, afirma: “Uma grande conquista da CNTE, na última gestão, consistiu em consolidar o processo de reversão das políticas fragmentadas na educação – e, consequentemente, em ver adotada a política de concepção sistêmica por parte do Ministério da Educação (MEC).” Nada pode ser mais fantasioso do que tal afirmação!
A divisão social e as contradições de classe estão, na realidade, se aprofundando com as políticas impostas nos últimos anos. A privatização da educação vem ganhando mais força com as recentes reformas. Segundo o censo escolar do MEC, entre 2002 e 2010 houve uma queda de 12,3% nas matrículas de todo o ensino básico público, enquanto na rede privada houve um crescimento de 5,2 %. Na educação profissional, 56 % das matrículas estão na esfera privada. O ensino superior é um negócio da China para o capital: 75 % das vagas são de instituições privadas. Houve um crescimento de 227 % em apenas 15 anos. Por falta de vagas nas universidades públicas, milhões de famílias batalham, desesperadamente, para conseguir pagar um ensino superior para seus filhos.
O PROUNI, principal programa educacional voltado ao ensino superior, representa uma gigantesca transferência de recursos públicos para o capital privado. A burguesia compreendeu o significado do imenso mercado que significa a educação. No Brasil, este mercado corresponde a mais de US$ 100 bilhões. O setor educacional soma aproximadamente 14 % do PIB, mais do que os setores de eletricidade, de petróleo e de telecomunicações juntos. O direito básico à educação virou uma mercadoria valiosa em nosso país.
Diante do mais novo presente do governo Dilma, a criação do PROIES que concede moratória de até 90 % das dívidas das instituições privadas de ensino superior junto à Receita Federal, a direção majoritária da CNTE chegou ao ponto de emitir uma nota onde diz que “espera que o PROIES sirva, ao menos, para filtrar as instituições de ensino, garantindo maior qualidade educacional e probidade gerencial às IES.” Apesar de lamentável, uma declaração como essa tem o mérito de revelar a que ponto uma política de colaboração pode levar o sindicalismo governista. A direção majoritária da Confederação não só convive harmoniosamente com a privatização da educação como espera “probidade gerencial” e qualidade dos capitalistas!
Enquanto isso, o capital avança sobre os direitos mínimos dos(as) trabalhadores(as). A educação é apenas mais um direito ameaçado. A política implementada é a de o Estado abandonar a escola pública para favorecer o capital. O incentivo às parcerias público-privadas aprofunda essa lógica. Organizações como o “Compromisso Todos pela Educação”, que incluem bancos e grandes empresas, são impulsionadas pela política e pela propaganda do governo federal. As escolas são levadas a buscar outras formas de financiamento, assim isentando o Estado e gerando desigualdades ainda maiores. As universidades são forçadas a abrir espaços e produzir conhecimentos para as grandes empresas e multinacionais. Há uma submissão aos interesses capitalistas em todos os aspectos relacionados à educação.
3. O PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO (PNE) E AS REFORMAS NEOLIBERAIS
O PNE, apresentado pelo governo para aprovação no Congresso Nacional, configura um grave ataque à educação pública. Em essência, o novo PNE proposto avança ainda mais na privatização da educação brasileira. Na prática, esse plano pretende ser o organizador das reformas neoliberais em curso no País.
Na contramão dos interesses dos(as) trabalhadores(as), a CNTE assumiu como bandeira central a luta pela aprovação do PNE. Junto com o governo, divulga que 2016 está indicado como o “ano de superação da miséria no país” e que o plano “foi pensado vislumbrando um projeto de nação onde vigore o diálogo...”. Afirma: “Os nossos esforços concentrar-se-ão na efetiva aplicação de políticas públicas que conduzam ao cumprimento das metas do PNE e ao controle social das verbas públicas, a fim de que a educação se torne, efetivamente, prioridade para a superação dos gargalos que emperram a promoção do desenvolvimento social e sustentável de nosso país.”
Com essa visão engajada com o desenvolvimento capitalista, a direção majoritária da CNTE permite mais um duríssimo ataque às conquistas da classe trabalhadora no âmbito educacional. O PNE, na verdade, sistematiza os principais projetos educacionais implementados na última década, transformando-os em política de Estado. A serviço de uma lógica neoliberal, expande esses projetos (PROUNI, PRONATEC, FIES, Ensino a distância, ENADE, ENEM) para beneficiar o setor privado com mais isenções fiscais e com um viés mercadológico da educação para o trabalho.
O PNE generaliza as chamadas parcerias público-privadas (PPPs). Diversas empresas poderão receber certificado de “entidade beneficente de assistência social”, para atuar no setor, incluindo desde o atendimento de crianças que necessitam de creches até os ensinos médio e superior. O PNE tende a aumentar a abrangência privada na produção de material didático e nos “pacotes educacionais” oferecidos para as escolas; também formaliza a concessão de bolsas em instituições privadas do Sistema S (SESI, SENAC, SEC,...), assim aprofundando a participação privada no ensino profissionalizante.
As metas do PNE expressam um objetivo geral de ampliação de oferta, a partir do rebaixamento da qualidade do ensino, a semelhança da atual aplicação do REUNI nas universidades federais. A expansão sem investimento tem significado precarização violenta das universidades, com salas superlotadas, filas nos restaurantes universitários, falta de professores e acúmulo de problemas estruturais. O PNE busca, agora, estender essa lógica para os demais níveis de ensino.
Em relação aos educadores, o projeto do governo quebra ainda mais a autonomia por meio do incremento das avaliações externas e da meritocracia. Já está em acelerado processo de organização a Prova Nacional para seleção de docentes, que servirá como mecanismo de generalização da meritocracia no País. A centralização curricular, imposta por avaliações como ENEM, IDEB e Prova Brasil, também é transformada em política permanente com o novo PNE.
A gestão democrática das escolas também sofre um duro golpe. Estamos perante a possibilidade de ser decretado – em todo o País – o fim da eleição de diretores. Uma das metas do PNE estabelece a “nomeação comissionada de diretores de escola vinculada a critérios de mérito e desempenho e à participação da comunidade escolar”. Também fala em priorizar o repasse de transferências voluntárias para os estados e municípios que aprovem lei prevendo a meritocracia.
O governo pretende impor a aplicação dessas metas por intermédio do Plano de Ações Articuladas (PAR), um contrato assinado entre os municípios e os estados com o MEC. Este contrato trata desde a gestão educacional até o desenvolvimento de recursos pedagógicos, resultando assim em um esvaziamento da autonomia político-pedagógica e administrativa da escola.
Todos esses ataques estão contidos no PNE. Também não há qualquer garantia de que, no que diz respeito ao financiamento, haja mudanças na política governamental. Os principais ministros já afirmaram, publicamente, que não estão dispostos a cumprir o índice de 10% aprovado na Comissão parlamentar. Tudo indica que, com o aprofundamento da crise econômica, haja novas medidas que acabem desviando recursos da escola pública! Portanto, o PNE nada garante de investimento na educação e é ainda uma ferramenta para ampliar o processo de privatização e de mercantilização da educação brasileira.
A luta pela defesa da escola pública, gratuita e de qualidade, pela defesa dos direitos dos educadores e pela própria existência de democracia nas escolas passa por uma mobilização nacional contra o PNE.
4. A LUTA DOS EDUCADORES NO RS E O GOVERNO TARSO GENRO
A situação da escola pública, no Rio Grande do Sul, é uma demonstração plena da ação destrutiva e regressiva do capital. Nas últimas décadas, sobre determinação e fiscalização rigorosa do Banco Mundial, os diversos governos burgueses executaram planos para arruinar as condições de vida e de trabalho nas escolas públicas. Segundo cálculos do DIEESE, só em 2011, o governo do Estado deixou de investir R$ 1,25 bilhão na manutenção e desenvolvimento do ensino. Na última década, R$ 10 bilhões foram desviados dos recursos da educação. Este é o real motivo do sucateamento e destruição da escola pública no RS e não a falta de verba. O dinheiro da educação vem sendo direcionado para os grandes empresários e para pagamento de dívidas com o Governo Federal.
O empresariado do setor educacional também vem ganhando com tal política de desmonte. Entre 2002 e 2010, houve uma queda de 8,2% no número de matrículas na rede pública no RS, enquanto a rede privada cresceu 4,2%. O número de estabelecimentos privados de ensino básico, nesse mesmo período, aumentou de 15% para 22% do total. O processo de municipalização também favorece a privatização, pois transfere para as prefeituras (que menos arrecadam) a responsabilidade pela escola pública.
A fragilização da escola também fica evidente na quantidade de professores(as) e de funcionários(as) em atividade no Estado. Enquanto a população do Estado cresceu, houve uma redução de mais de treze (13) mil servidores(as) na Secretaria da Educação. Segundo o censo do MEC, o número de docentes na rede estadual (ensino básico) diminuiu de 67 mil para 42 mil. E, levando em consideração apenas as crianças e os jovens em idade escolar, permanece um déficit de 62 mil professores(as) para a educação básica!
Diante dessa catástrofe, a classe trabalhadora vem protagonizando, durante longos anos, um processo de resistência admirável. Lutas acirradas, com conteúdo econômico e político, enfrentaram os ataques e os governos que os patrocinaram. O CPERS Sindicato tornou-se uma referência histórica de luta e resistência da classe trabalhadora.
Essa luta política contra os representantes diretos do capital gerou, entre os educadores e o proletariado, uma grande expectativa de mudança a partir da eleição do governo Tarso Genro. Antes de assumir, Tarso firmou inúmeros compromissos com a classe trabalhadora. No entanto, em poucos meses, essa experiência levou a uma enorme decepção. O novo governo assumiu, mantendo os mesmos acordos e contratos feitos pelo governo anterior com o Banco Mundial.
Sem nenhum constrangimento, o governo abandonou os seus compromissos e aderiu a um projeto de privatização e ataques aos trabalhadores. As condições de vida dos(as) trabalhadores(as) continuam essencialmente iguais às impostas pelos governos anteriores. Superexploração, sobrecarga de trabalho, baixíssimos salários e endividamentos continuam a fazer parte do cotidiano da classe trabalhadora no RS. Já a manutenção das isenções fiscais e do pagamento das dívidas tranquiliza os donos dos bancos, das grandes indústrias, do comércio e dos meios de comunicação.
As ilusões de que este governo mudaria as condições de vida dos(as) trabalhadores(as) estão sendo, dramaticamente, frustradas. A verdade é que o governo Tarso demonstra vocação apenas para gerir os interesses do capital. A traição do governo aos interesses dos(as) trabalhadores(as) surge a todo o momento: não cumpre promessas, promove reformas de conteúdo neoliberal, reprime greves, desrespeita leis e direitos conquistados. As gentilezas e favorecimentos aos Gerdau e aos Sirotsky vêm acompanhados, por outro lado, da política e dos projetos que massacram os(as) trabalhadores(as).
5. A MÍDIA BURGUESA CONTRA A EDUCAÇÃO PÚBLICA
Nesta última semana, a RBS TV lançou mais uma campanha institucional, agora priorizando a educação. Chamada de “A Educação Precisa de Respostas”, a campanha afirma pretender discutir a necessidade de conscientizar toda a sociedade sobre a importância de qualificar a educação. Para tanto, a empresa traz várias figuras para debater o tema, com destaque para o ministro da educação do governo Dilma, Aloísio Mercadante. Grande mentira!
A grandiosidade do espetáculo não significará nenhum avanço efetivo na qualidade da educação pública. O Brasil amarga a 84ª posição mundial em desigualdade social. Por isso, qualificar a educação, incentivar os jovens e as famílias a se preocuparem de fato com este tema é uma grande enganação diante destes indicadores sociais.
Outro grande problema da campanha midiática da RBS é o de que seria possível transformar o ensino brasileiro somente através de discursos e “boas intenções” dos governantes ou da sociedade. Ora, é necessário investimentos, coisa que nem passa pela cabeça do governo ou dos empresários que buscam cada vez mais usufruir da máquina pública.
Outro importante ponto “esquecido” pela RBS foi a questão da valorização profissional de professores(as) e funcionários(as) de escola. Não existe nenhuma condição de oferecer um mínimo de qualidade frente aos salários miseráveis pagos pelo governo, sobretudo no RS. Esta questão é tão alarmante que alguns “doutores” em educação sugerem que o trabalho de educar seja encarado como um “sacerdócio”, como se os professores(as) não tivessem famílias e contas para pagar!
A RBS ajudaria muito mais a educação se pagasse impostos, se divulgasse com transparência a luta dos educadores, se ouvisse a comunidade escolar e reportasse, para conhecimento público, as centenas de escolas que não possuem nem mesmo refeitório para os alunos, a falta de professores em várias disciplinas, a insegurança no entorno das escolas. Em síntese, a visão empresarial da RBS combina com a estratégia da Agenda 2020 que pretende diminuir o aprendizado e avançar na formação de mão-de-obra barata para servir o grande capital.
6. A QUEM SERVE A REFORMA DO ENSINO MÉDIO DO GOVERNO
A proposta de reforma do ensino médio do governo Tarso segue o projeto educacional do Governo Federal e reforça a situação de discriminação e segregação da juventude proletária. Uma reforma curricular exclusiva para a escola pública que pretende tornar o ensino médio adequado aos interesses das empresas locais. Disfarçada sob o rótulo de “integração ao mundo do trabalho” e deturpadora do conceito marxista de politecnia, o objetivo de tal reforma é direcionar, adaptar e formatar a juventude para inserção como força de trabalho no mercado capitalista.
O próprio Marx alertava que a politecnia definida apenas como formação técnica, ou como decorrente das necessidades do processo produtivo, não ultrapassa os limites da realidade da produção burguesa. Ou seja, configura tão somente a redução do homem a simples força de trabalho necessária à produção de mercadorias. O ponto de vista capitalista defende a educação “politécnica” ou a “união trabalho-educação” como meio de preparar mão de obra para atender as exigências de expansão do capital. Para Marx, deve ser ao contrário, o ensino politécnico deve objetivar que os trabalhadores dominem os fundamentos científicos, teóricos e práticos dos diversos processos de trabalho. Sua preocupação fundamental é colocar o problema da emancipação social como a grande meta da educação do proletariado.
Uma reforma direcionada apenas à classe trabalhadora, que retira boa parte dos conteúdos e disciplinas ensinados no setor privado, somente aprofunda a segregação social. Não tem nenhum conteúdo emancipador. É apenas mais uma exigência do capital, que permitirá baratear os custos das empresas e privilegiar o ensino privado. Os efeitos dessa reforma encaminham precocemente os jovens para o mercado de trabalho, fortalecendo as instituições privadas que deem condições de ingresso ao ensino superior.
Diante da gravidade desses ataques, o CPERS Sindicato está cumprindo um papel extremamente progressivo. A postura de absoluta independência e autonomia perante o governo Tarso e de convicção e firmeza na defesa das reivindicações dos(as) trabalhadores(as) tem sido fundamental para a luta em defesa da educação pública. Mais do que nunca, os educadores gaúchos precisam manter-se com coerência no caminho da luta e da independência política.
7. EDUCAR PARA A EMANCIPAÇÃO DOS(AS) TRABALHADORES(AS)
O conjunto dos(as) educadores(as), em particular dos que participam mais ativamente do movimento sindical brasileiro, está diante de um dilema. O posicionamento político sobre o projeto que o capitalismo implementa em nosso país trará graves consequências para a vida e o futuro da classe trabalhadora. E também para a educação pública.
Por um lado, existe hoje uma posição política majoritária que está convencida de que toda a situação terrível em que vive o proletariado, as injustiças, a exploração, opressão, a fome, o amplo analfabetismo, enfim, a profunda miséria social são apenas “gargalos” que podem ser resolvidos com um pouco mais de desenvolvimento capitalista. Defendem, portanto, a pacificação das lutas e a colaboração de classes.
Por outro lado, existe a posição de inúmeros(as) educadores(as) e de organizações dos(as) trabalhadores(as) que permanecem na defesa da luta contra o capital e a favor do socialismo. Essa é a nossa posição. Como afirma Marx, “a burguesia não tem os meios, nem vontade, de oferecer ao povo uma verdadeira educação”. Dela só podemos esperar mais atrocidades! Dos governos que não rompem com a burguesia é preciso dizer o mesmo.
Uma educação realmente livre só será possível quando houver a superação do capitalismo. O pleno desenvolvimento humano não é viável na sociedade burguesa, marcada pela alienação e pela violência de classe. Em decorrência disso, a tarefa fundamental de nossa época é lutar e educar para a emancipação dos(as) trabalhadores(as). Emancipação que será resultado de uma prática revolucionária, que faz parte desse amplo processo educativo de nossa classe. O avanço da consciência de classe é vital para que todas as nossas lutas atuais não se percam. Somente com o engajamento do conjunto da classe trabalhadora poderemos avançar para a superação da atual escola a serviço do capital e para a construção de uma sociedade socialista.
Nessa luta contra o capitalismo e todas as suas enfermidades, defendemos um programa voltado à defesa dos interesses dos(as) trabalhadores(as):
  • Em defesa da escola pública, gratuita, universal, laica e boa qualidade.
  • 10% do PIB para a educação pública já!
  • Não ao PNE. Por um PNE dos(as) trabalhadores(as): construído pelos estudantes, pais e organizações da classe trabalhadora.
  • Em defesa da autonomia docente. Gestão democrática que compreende autonomia pedagógica e administrativa. Conselhos Escolares realmente representativos e com poder de deliberação, pois a comunidade escolar deve exercer o controle da gestão da escola.
  • Defesa e incentivo a existência de grêmios livres incorporados na vida escolar.
  • Contra a privatização e os fundos que levam a municipalização do ensino. Pelo cumprimento dos repasses previstos em leis para educação,
  • Combate permanente às ONGs, fundações e institutos que acabam recebendo dinheiro público dos governos, são verdadeiras fontes de corrupção e interferem na educação dos filhos dos(as) trabalhadores(as).
  • Não às avaliações externas. Por uma avaliação sistemática ao longo do processo de aprendizagem, com caráter investigativo, participativo e emancipador. Sem utilização de indicadores e metas (meritocracia) para impor aos alunos, professores e escolas, padrões de qualidade, que desrespeitam os processos individuais e coletivos de aprendizagem.
  • Concurso público para professores(as) e funcionários(as) de escola com garantia da nomeação. Não é possível pensar em educação de qualidade sem um quadro estável de educadores.
  • Não à reforma do ensino médio.
  • Em defesa dos planos de carreiras, pois esta luta significa impedir a aplicação das diretrizes nacionais que desestruturam as carreiras e abrem caminho para a implantação da meritocracia.
  • Pagamento imediato do piso salarial como básico das carreiras para professores(as) e funcionários(as).
  • Cumprimento de 1/3 da hora atividade. Sem a hora relógio e garantia da hora aula.
  • Formação continuada para professores(as) e funcionários(as) garantida pelas escolas e universidades públicas tanto para o ensino regular como cursos que valorizem as carreiras existentes.
  • Combate às falsas propostas de formação para os(as) funcionários(as), como o pró-funcionário, que têm como objetivo não a qualificação, mas sim a negação da identidade profissional estabelecida no plano de carreira daqueles que durante anos exercem sua profissão dentro das escolas públicas.
DIREÇÃO ESTADUAL DO CPERS/SINDICATO

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Tarso repete Yeda ao entrar com ação contra a lei do piso
 
 
Ao ingressar com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIn) no Supremo Tribunal Federal (STF) contra a lei do piso, o governador Tarso Genro (PT) volta a atacar a educação pública e os educadores do Rio Grande do Sul.

O governador deixa claro que nunca desejou pagar o piso. Tarso mentiu para a população gaúcha ao dizer na campanha eleitoral que o conduziu ao Palácio Piratini que cumpriria a lei do piso. Depois de eleito, passou a questionar uma lei por ele assinada enquanto ministro da Justiça.

O governador Tarso e o secretário da Educação, Jose Clovis de Azevedo, repetem o que a ex-governadora Yeda Crusius (PSDB) e sua ex-secretária Mariza Abreu fizeram. Yeda e Mariza entraram com ação no STF questionando a lei e acabaram derrotadas.

Ao questionar a lei, Tarso assume publicamente que no Brasil um professor das redes estaduais de ensino fundamental e médio não merece receber um salário mensal de R$ 1.451,00 para uma jornada semanal de 40 horas.

O CPERS/Sindicato sempre denunciou o fato de o governador Tarso não ter entre suas prioridades o pagamento do piso e a educação pública. Aliás, os trabalhadores do Rio Grande do Sul jamais estiveram entre as prioridades do governador.
A ação que tentar alterar o artigo 5º da lei 11.738/2008 tem as assinaturas dos governadores Raimundo Colombo (PSD-SC); Marconi Pirillo (PSDB-GO); José de Anchieta Junior (PSDB-RR); Tarso Genro (PT-RS); Wilson Martins (PSB-PI); e André Puccinelli (PMDB-MS) - fotos abaixo.

Os governadores destes estados querem que o reajuste se dê pela inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) e não pelo valor do custo aluno do Fundeb, um indexador que garante um mínimo de valorização da categoria.
João dos Santos e Silva, assessor de imprensa do CPERS/Sindicato

quinta-feira, 6 de setembro de 2012


Você ainda acredita que educação é prioridade dos políticos?

RS e outros Estados tentam anular aumento do piso dos professores

Estados defendem projeto que prevê a correção com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), o que, na prática, resultaria em reajustes menores

ZERO HORA E AGÊNCIA BRASIL - 05/09/2012 | 21h05

Governadores de seis Estados, entre eles o chefe do Executivo do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, entraram com uma ação contra a lei que cria o piso nacional para professores da rede pública. A ação foi impetrada na terça-feira no Supremo Tribunal Federal (STF) e questiona o Artigo 5° da lei, que trata do cálculo do reajuste do piso.

Pelas regras, o piso deve ser reajustado anualmente a partir de janeiro, tendo como critério o crescimento do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb). Entre 2011 e 2012, o índice foi 22% e o valor passou de R$ 1.187 para R$ 1.451. A Adin é assinada pelos governadores de Mato Grosso do Sul, Goiás, do Piauí, Rio Grande do Sul, de Roraima e Santa Catarina. O relator do processo no STF será o ministro Joaquim Barbosa.

A Lei do Piso foi sancionada em 2008 e determina um valor mínimo que deve ser pago aos professores da rede pública com formação de nível médio e carga horária de 40 horas semanais. O presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Roberto Leão, disse nesta quarta-feira que foi surpreendido pela decisão.

- A lei agora está sub judice. Estamos no limbo, porque tem um projeto na Câmara que trata dessa questão, um grupo de trabalho que está prestes a apresentar resultados, uma câmara de negociação no Ministério da Educação e os governadores dão mostra de que não querem negociar - disse.

Conforme Leão, se o STF acatar o pedido dos governadores e derrubar o artigo que regulamenta o reajuste, cada Estado poderá definir um cálculo para corrigir o piso, o que representará perdas para os professores:

- Os governadores estão criando um problema para eles. Não existindo mais o balizador do reajuste, cada estado vai fazer a sua luta, vai ter muito mais greve.

A CNTE defende o cumprimento da lei e também é contrária à proposta que tramita na Câmara dos Deputados e que altera o cálculo do reajuste. Defendido pelos Estados, o projeto prevê a correção com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), o que, na prática, resultaria em reajustes menores.

http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/politica/noticia/2012/09/tarso-e-outros-cinco-governadores-entram-com-acao-no-stf-contra-calculo-de-reajuste-do-piso-do-magisterio-3876321.html

Por Siden Francesch do Amaral, Professor e
Diretor Geral do 14º Núcleo/CPERS-Sindicato

 

terça-feira, 4 de setembro de 2012


UFRGS é a 4ª melhor universidade do Brasil, segundo ranking da Folha
Outras 18 instituições gaúchas, públicas e privadas, aparecem na lista
A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) foi eleita a quarta melhor do Brasil, segundo o Ranking Universitário Folha (RUF) elaborado pelo jornal Folha de São Paulo e divulgado nesta segunda-feira. A Ufrgs recebeu nota de 88,73, ficando atrás da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e a Universidade de São Paulo (USP), eleita a melhor do país.
A listagem de 188 posições foi desenvolvida a partir de quatro indicadores: qualidade da pesquisa e produção científica, inovação, reputação no mercado e qualidade de ensino. Para elaborar o ranking, foram consideradas apenas as universidades, que são instituições mais completas, com ensino e pesquisa em diversos campos do conhecimento. A listagem conta com 191 universidades, públicas e privadas. Houve alguns empates.
Em relação às particulares, a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC/RS) foi considerada a segunda melhor universidade privada e a 16ª colocada no ranking geral. Além da Ufrgs e PUC/RS, foram listadas ainda outras 17 instituições de ensino do Estado. 
Confira as universidades gaúchas e as posições no RUF: 
Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) - 4º
Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC/RS) - 16º
Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) – 20º
Universidade Federal de Pelotas (UFPel) – 29º
Universidade do Vale do Rio do Sinos (Unisinos) – 33º
Universidade de Caxias do Sul (UCS) – 40º
Universidade Federal do Rio Grande (Furg) – 46º
Universidade Luterana do Brasil (Ulbra) - 59º
Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) – 71º
Universidade de Passo Fundo (UPF) – 79º
Universidade Federal do Pampa (Unipampa) – 81º
Universidade Católica de Pelotas (UCPel) - 87º
Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI) - 93º
Universidade Feevale (Feevale) - 107º
Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (Uergs) – 112º
Universidade de Santo Cruz (Unisc) – 122º
Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (Uijuí) – 130º
Universidade de Cruz Alta (Unicruz) – 175º
Universidade da Região da Campanha (Urcamp) – 186º
Correio do povo.

 Independência do Brasil

 
Independência do Brasil é o feriado em que se celebra a emancipação brasileira do reino de Portugal, no dia 7 de setembro de 1822 e ficou conhecido como o episódio "Grito do Ipiranga". A Independência do Brasil deu os primeiros passos às margens do riacho Ipiranga, hoje atual cidade de São Paulo. O Príncipe Regente Dom Pedro gritou "Independência ou morte" e a partir desse momento o Brasil não era mais uma colônia de Portugal. Estava finalmente estabelecida a Independência do Brasil.
Logo após a Independência, o Brasil passou a ser uma monarquia, uma forma de governo em que os poderes eram exercidos por um Imperador.
Origem da Independência Brasileira
Com as Revoluções na Europa, a família Real Portuguesa decidiu que seria melhor se mudarem para o Brasil. Porém, existiam diversos problemas e divergências entre os portugueses e brasileiros, como a escravidão, a luta territorial, as rebeliões os privilégios da burguesia e etc, que eram os conservadores.
No final de agosto de 1822, em uma rebelião contra José Bonifácio, D. Pedro resolveu romper os laços de união política com Portugal, mesmo com seu pai pedindo que ele voltasse para lá.
Com a emancipação, D. Pedro I foi coroado Imperador do Brasil.
 
 
 

segunda-feira, 3 de setembro de 2012


Governo quer regulamentar greve no serviço público

Nos próximos dias o governo inicia uma série de reuniões para elaborar projeto de lei de regulamentação do direito de greve dos servidores públicos. A informação foi passada hoje (3) pelo secretário de Relações do Trabalho do Ministério do Trabalho, Manoel Messias Melo, em audiência pública na Comissão de Direitos Humanos do Senado.
 
O debate ocorre na semana em que aproximadamente 250 mil servidores públicos federais, ligados à Confederação dos Trabalhadores do Serviço Público Federal (Condsef), retornam ao trabalho depois de cerca de dois meses em greve. Eles aceitaram os 15,8% de reajuste propostos pelo governo. O presidente da comissão, Paulo Paim (PT-RS), disse que pode pedir a relatoria do projeto de lei que tramita na comissão para evitar que prosperem tentativas de restrição das conquistas asseguradas pela Constituição Federal de 1988. “Direito de greve é uma coisa, querer proibir direito de greve é outra. Direito de greve é direito de todos e agora não cabe querer retirar essa conquista dos trabalhadores.”
 
O secretário disse que, durante os debates, serão chamados representantes sindicais para tentar formular um texto compatível com as reivindicações pleiteadas pela categoria. Antes, porém, o governo terá que fechar um texto comum, pois existem duas minutas de projeto de lei apresentadas pelos ministérios do Planejamento e do Trabalho.
 
Ele reconheceu que “alguns pontos” da proposta de regulamentação serão difíceis de negociar, mas precisam ser enfrentados. O secretário destacou, por exemplo, a necessidade de proibir policiais de usarem armas quando entram em greve.
 
Outra polêmica que pode gerar debates intensos entre governo e trabalhadores deve ser a regulamentação da greve dos servidores públicos em serviços essenciais. Messias se mostrou contrário ao teor de todos os projetos sobre o tema que tramitam no Congresso desde 1991.
 
O direito de greve foi defendido por todos os representantes sindicais que participaram da audiência pública. “A maioria dos projetos que tramitam no Congresso restringe o direito de greve”, disse o representante da Central Sindical e Popular (CSP-Conlutas), Paulo Barela.
 
O sindicalista acrescentou que o projeto de lei que tramita na Comissão de Direitos Humanos, de autoria do senador Aloysio Nunes Ferreira, restringe a greve no serviço público a 50% do funcionalismo. Além disso, segundo ele, em serviços essenciais, apenas 20% do total dos servidores poderiam paralisar as atividades. “Isso é draconiano”, disse Barela.
 
Aloysio Nunes, que não estava na audiência, disse que o comunicado da reunião da comissão chegou na sexta-feira (31) a seu gabinete, quando ele já estava em São Paulo. No encerramento da audiência, Paim disse que pedirá ao senador Aloysio Nunes que retire seu projeto de tramitação.
 
Ao tomar conhecimento das “críticas” ao seu projeto por parte dos sindicalistas, Aloysio Nunes enviou a Paim ofício defendendo a regulamentação da lei de greve. “O que nós, os senadores, temos que fazer é legislar, pois há 24 anos a Constituição Federal e a sociedade reclamam uma lei que estabeleça as modalidades e os limites para o exercício do direito de greve dos servidores públicos."
 
O presidente da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Anfip), Álvaro Solón de França, destacou que o servidor público “não quer fazer nada que prejudique a população”. Entretanto, ressaltou a necessidade de o governo definir a recomposição das carreiras públicas.
 
O representante do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes) Luiz Henrique Schuch frisou a necessidade de servidores públicos e governo avançarem no debate de reestruturação das carreiras. Ele disse que há uma evidente possibilidade de “retrocesso” no que foi conquistado na constituinte de 1988, com a chancela parlamentar.
Marcos Chagas, da Agência Brasil